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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Tatu-bola!



"O vídeo mostra a realidade do Tatu-bola e busca sensibilizar a sociedade sobre a necessidade de cuidados com esta espécie para salvar o animal da extinção."

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Abutre-Preto volta a nidificar no Alentejo!


Pela primeira vez em mais de 40 anos, dois casais de abutre-preto iniciaram a nidificação a sul do Tejo. O local escolhido foi a Herdade da Contenda, no concelho alentejano de Moura, em ninhos instalados pelo projecto LIFE “Habitat Lince Abutre”, da responsabilidade da Liga para a Protecção da Natureza (LPN).

O abutre-preto é uma espécie criticamente em perigo de extinção e, de acordo com a LPN, a “ocupação destes dois ninhos artificiais representa um sucesso das medidas implementadas no âmbito do projecto LIFE “Habitat Lince Abutre” e um importante marco na conservação do abutre-preto em território nacional.

Os dois casais da espécie foram detectados na sequência da monitorização das plataformas de nidificação efectuada pela LPN. “Numa visita recentemente realizada, foi registada a instalação de dois casais de abutre-preto em dois dos ninhos artificiais implementados por este projecto no concelho de Moura, tendo sido possível confirmar a presença de um exemplar desta espécie em incubação num destes ninhos e a deposição de material de revestimento noutro, correspondendo assim ao início do desejado restabelecimento de uma colónia reprodutora no Alentejo”, afirma a LPN.

O abutre-preto regressou como reprodutor a Portugal em 2010, na região do Tejo Internacional, e que actualmente se encontra a nidificar apenas nesta região e na do Douro Internacional.

No início de 2012, o projecto LIFE “Habitat Lince Abutre” instalou 12 ninhos artificiais para o abutre-preto na Herdade da Contenda, entre um total de 30 instalações nas regiões de Moura, Mourão, Barrancos e Vale do Guadiana, de maneira a melhorar as condições para o estabelecimento e reprodução da espécie.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Rola-brava em extinção!

"Proibição da caça já!"

Ministra da Agricultura e do Mar, Dra. Assunção Cristas: Rola-brava em extinção - Proibição da caça já!                
De nome científico Streptopelia turtur, a rola-brava ou rola-comum está a desaparecer a um ritmo preocupante em Portugal e na Europa, estimando-se que a sua população tenha decrescido 70% nos últimos 10 anos. Em Portugal, o mês de Agosto é tipicamente marcado pela abertura da época da caça à rola, período que é coincidente com a época de nidificação desta espécie migradora atualmente ameaçada de extinção.


VER EM:

sexta-feira, 2 de maio de 2014

LPN protege aves ameaçadas combatendo desertificação

In Diário do Alentejo, disponível emhttp://da.ambaal.pt/noticias/?id=1877#.U2QK9rw7fL8.gmail



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No domingo, 17, assinala-se o Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação. Uma data que diz muito à região alentejana, duplamente fustigada pela inclemência do clima e por recentes más práticas agrícolas que culminaram na famosa Campanha do Trigo. E também um pretexto para uma visita ao Centro de Educação Ambiental do Vale Gonçalinho, quartel-general da Liga para a Proteção da Natureza em castro Verde, a partir do qual zela pela manutenção de espécies tão vulneráveis como a abetarda, o sisão ou o peneireiro-das-torres, e do habitat que partilham. A provar que conservação da natureza e combate à desertificação são duas faces da mesma moeda.



Texto Carla Ferreira Fotos José Ferrolho


Se hoje os Jogos Concelhios de castro Verde têm como mascote uma abetarda desportista, sinal de que a “rainha da estepe” continua bem viva e de saúde, é porque uma rara conjugação de esforços teve lugar há perto de duas décadas, impedindo a florestação com eucalipto de uma vasta área agrícola, então nas mãos da indústria do papel. Desencadeada por uma organização não-governamental, a Liga para a Proteção da Natureza (LPN), a intervenção teve a adesão dos decisores políticos, locais e nacionais, o apoio financeiro da Europa comunitária e mais tarde também o aval dos agricultores do Campo Branco, hoje mais de 150 envolvidos.  

Uma tão “invulgar” concertação de interesses que já por várias vezes o Plano Zonal de castro Verde, medida agroambiental elaborada especificamente para aquela região e em vigor desde 1995, “foi levado a Bruxelas como exemplo de uma muito boa ligação entre a conservação da natureza e a agricultura”, lembra a bióloga Rita Alcazar, coordenadora do Centro de Educação Ambiental do Vale Gonçalinho (Ceavg), a funcionar há 12 anos numa herdade a poucos quilómetros da vila de castro Verde. É importante não esquecer que praticar uma agricultura compatível com a conservação do património natural implica assumir compromissos que trazem custos adicionais aos agricultores, além de alguma perda de rendimento, que o Plano Zonal, enquanto instrumento financeiro, se propôs cobrir. 


É no Ceavg, um monte “ecológico” implantado bem no coração da estepe cerealífera alentejana, que a LPN tem montado o seu quartel-general a partir do qual zela pela manutenção de aves estepárias, espécies tão vulneráveis como a emblemática abetarda e os não menos carismáticos sisão e peneireiro-das-torres, assim como do habitat que partilham. Um trabalho já por diversas vezes premiado (projeto LIFE Estepárias), mas cujo reconhecimento maior é sentido na evolução, para o dobro e em alguns casos para o triplo, das populações ameaçadas. “Em 1997 tínhamos à volta de 400 abetardas na região e neste momento andamos nas 1 300, o que corresponde a cerca de 85 por cento da população nacional”, contabiliza a bióloga, orgulhosa, descrevendo as particularidades desta que está registada como a maior ave voadora da Europa: “Têm um comportamento social bastante marcado. São muito interessantes as paradas nupciais exuberantes que os machos executam para cativar as fémeas, logo no princípio da primavera”.

Num contínuo de quase 60 mil hectares de planície, uma extensão ímpar em território português e, muito provavelmente, também a nível do continente europeu, a região do Campo Branco oscila entre a produção de cereais e o pastoreio de gado em regime extensivo, o que “garante que estas aves aqui continuem a existir”, assegura Rita Alcazar. E, diríamos nós, quase com o estatuto de santuário nacional. É que, acrescenta a cientista, “esta é a comunidade de aves terrestres com maior proporção de espécies ameaçadas que nós temos em Portugal, e resulta justamente deste equilíbrio entre pastagens e cereal”. 


Está então justificada a segunda frente de trabalho da LPN em castro Verde. Além da proteção das aves, com medidas de que é exemplo a construção de torres para os peneireiros nidificarem (na foto), os “condomínios de luxo” como se lhes refere a brincar, há que pensar também na “conservação do solo”. Tanto mais por se tratar de uma zona de elevada suscetibilidade à seca e desertificação, cujos solos empobreceram significativamente, ficando ainda mais vulneráveis à erosão, depois da famosa Campanha do Trigo, a partir dos anos 30 do século XX. Daí que a própria LPN tenha optado por engrossar o número de agricultores que operam na região. Adquiriu seis propriedades agrícolas e, numa espécie de “campo experimental” com 1 800 hectares, tem proposto aos “colegas” soluções para promover a reversão de processos como a desertificação e a perda de biodiversidade, visando em última instância o desenvolvimento sustentável.  


Rita Alcazar exalta uma técnica inovadora no combate à desertificação, que consistiu na “injeção” de lamas provenientes da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de castro Verde em profundidade no solo, como forma de acelerar a formação do solo “em cerca de 10 vezes” e melhorar as suas características físicas e químicas. Medidas para reduzir a erosão do solo, como a sementeira direta, ou para minimizar o risco de seca, como o desenvolvimento de charcas e bebedouros ou uma maior preservação das linhas de água, têm sido igualmente testadas e sugeridas. 


Outro aspeto que não pode ser esquecido, dada a sua crescente expressão, é o ecoturismo enquanto alternativa de desenvolvimento local sustentável. “Há uma procura bastante elevada de turistas para observar estas aves no seu habitat natural e é um número que tem vindo a crescer, sobretudo de visitantes estrangeiros e na sua maioria oriundos do Reino Unido”, informa Rita Alcazar. O Ceavg funciona assim como polo de acolhimento destes “turistas altamente especializados, que sabem muito bem o que querem ver”. E que depois se espalham pelas unidades hoteleiras da região, usufruindo de outras ofertas patrimoniais e provando, como conclui a bióloga, que as “aves também podem trazer algum retorno financeiro”, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das populações locais. 


Se a desertificação é, como ficou declarado na convenção das Nações Unidas de combate ao fenómeno, “a degradação da terra nas regiões áridas, semiáridas e sub-húmidas secas, resultante de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as atividades humanas”, então há pelo menos uma variável que pode ser controlada. Projeções assentes em dados climáticos (Atlas Climático das Aves Nidificantes na Europa, de 2007), indicam que o Baixo Alentejo poderá tornar-se “inadequado” para espécies como a abetarda e o sisão, que tenderão a migrar para norte. A coordenadora do Ceavg, pela parte que lhe toca, não arrisca cenários futuros. Prefere antes falar do que sabe e ser otimista: “Se nós conseguirmos continuar a trabalhar positivamente em termos de sustentabilidade, preservando o solo e minimizando o despovoamento, ou seja, na parte que nós conseguimos controlar, eu creio que conseguiremos manter este tipo de ecossistema e dehabitat aqui na região”.




Sisão

(Tetrax tetrax)

Vulnerável 

Em Portugal, a quase totalidade da população está concentrada
na região do Alentejo, com uma estimativa de aproximadamente
17 500 machos reprodutores.



Peneireiro-das-torres

(Falco naumanni)

Vulnerável

Em Portugal, o peneireiro-das-torres nidifica maioritariamente no Baixo Alentejo. A Zona de Proteção Especial (ZPE) de castro Verde alberga 80 por cento da população portuguesa.



Abetarda

(Otis tarda)

Em perigo

É a maior ave voadora da Europa, podendo os machos adultos chegar aos 14 quilogramas. No Campo Branco, a população de abetardas tem vindo a aumentar e, em 2011, registaram-se cerca de 1 300 aves que correspondem a cerca de 85 por cento da população nacional."

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Águia-Pesqueira - Espécie "em perigo"



Algumas das espécies faunísticas existentes no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) encontram-se em risco de extinção. Entre elas, o guincho ou águia-pesqueira (Pandion haliaetus) que utiliza/utilizava esta costa rochosa como local de nidificação.


Esta ave de rapina carateriza-se por patas cobertas de escamas rugosas e por plumagem oleosa, com um grau de impermeabilização elevado, bastante útil para a qualidade e rapidez de suas pescarias...


Alimenta-se quase exclusivamente de peixe que captura com as garras após peneirar em voo. Entre as suas iguarias preferidas estão sargos e robalos (zonas costeiras), tainhas (zonas estuarinas) e carpas (água doce). Contudo, na sua dieta entram outros repastos, tais como pequenos mamíferos, pássaros, répteis, anfíbios, crustáceos e invertebrados



A Águia-pesqueira, exímia pescadora, “é uma espécie cosmopolita, já que se encontra em todos os continentes” (Alves, 2011). As maiores áreas de reprodução situam-se na América do Norte, na Europa e na Ásia, sendo relativamente comum na Escandinávia e Finlândia e nalgumas regiões da Rússia. No Sul da Europa e Norte de África é mais rara e apresenta uma distribuição localizada. No entanto, verifica-se um declínio acentuado, tendo chegando a extinguir-se em alguns pontos na Europa.

Em Portugal, a sua presença era comum ao longo da costa, desde Leiria até ao Algarve. Nela, havia uma população de vários casais nidificantes, ficando reduzida a apenas dois na Costa Sudoeste. Com a morte da fêmea do último casal desaparece como nidificante ...

Actualmente, é pouco "nidificadora" e essencialmente visitante, podendo ser observada ao longo de praticamente todo o ano, com maior incidência nas épocas de passagem migratória.


Causas:
Entre as principais causas, é referida a introdução do perímetro de rega como técnica agrícola. Medida que transformou o litoral alentejano e aumentou a presença humana, em muito responsável pelo (quase) desaparecimento da espécie.
Com a caça ao pombo-das-rochas muitas águias-pesqueiras foram abatidas ... Com o aumento da pesca à linha e desportiva, vários locais de nidificação foram perturbados e abandonados...

Outro aspeto salientado o  é intensivo uso de pesticidas e resíduos de DDT concentrados nos peixes, base do seu alimento! Quem refere este ponto de vista considera que, dada a legislação restritiva de seu uso, (felizmente) as populações de águias-pesqueiras começam a recuperar.

Preservação:

No Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal a espécie aparece com estatuto de “Em Perigo”

Alguns países tais como o Reino Unido, a Noruega e a Suécia têm vindo a investir em medidas de preservação. No entanto, no resto mundo, continua com uma representatividade muito reduzida!

No nosso país, desde 1997 que está extinta como reprodutora, ainda que em 2000 tenha havido uma nova tentativa de nidificação. “Desde então, e embora possa por vezes ser avistada no Inverno, a espécie ocorre normalmente em território nacional durante as migrações entre as áreas onde inverna, em África, e vários locais, nomeadamente do Norte da Europa, onde ainda nidifica, e aos quais é fiel” (Alves,2011)

No sentido de a preservar, em Julho de 2011, ao abrigo de um protocolo de reintrodução da espécie chegaram a Portugal 10 juvenis de águia-pesqueira. O plano passa por libertá-los perto da Albufeira de Alqueva, zona que deverão reconhecer como território natal regressando, depois do Inverno, para nidificar.
Com o estabelecimento de um núcleo reprodutor espera-se a recolonização das zonas de ocorrência histórica em território nacional.


Para a preservar na Costa Alentejana, foi sendo (recorrentemente) sugerido o diálogo e  a sensibilização dos pescadores da região, com o intuito de os tornar parceiros na protecção da espécie. Contudo, apesar dos enumeros alertas de organizações ambientalistas e de ecologistas, pouco considerados, constata-se uma significativa perda do ponto de vista da riqueza e da biodiversidade de Portugal...


Fontes: